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  • Foto do escritorEdgard Gonçalves Cardoso

Evolução da Manutenção



O período que antecede a Segunda Guerra Mundial é composto por fábricas repletas de máquinas com tecnologia demasiadamente limitada e com capacidade de produção reduzida, além de os sistemas de instrumentação e controle serem muito básicos ou inexistentes (VILAÇA e ARAUJO , 2006).

Além disso, a demanda por produtos normalmente não excedia a capacidade produtiva das máquinas; aliás, muitas vezes estava bem distante desta. Assim, quando uma máquina se encontrada na condição de reparo, ou seja, avariada, não se fazia necessário intervir tecnicamente com urgência, pois havia um tempo ocioso da máquina, o qual não comprometia a produção. Alinhado a isso, as máquinas desse período eram consideravelmente robustas, caracterizando-as como de difícil quebra.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, as economias capitalistas viveram uma era de grande desenvolvimento, a qual foi denominada “Era de Ouro do Capitalismo” (SAES e SAES, 2013).



A partir da década de 1950, com a indústria reconstruída após a Segunda Guerra Mundial, países como Japão, Alemanha e Estados Unidos coordenam um mercado cada vez mais competitivo, onde a ociosidade outrora aceitável de máquinas e equipamentos já não mais era possível (SAES e SAES, 2013).

Nesse cenário as relações trabalhistas também sofreram granes mudanças. Os trabalhadores exigiam cada vez mais direitos e a mão de obra especializada era disputada pelas empresas. Assim, o custo do trabalho tornou-se cada vez mais relevante, conduzindo as empresas a uma mecanização e automação mais intensiva, onde as máquinas eram menos robustas e suas capacidades produtivas eram muitos superiores às suas antecessoras. Nesse contexto não se podia aguardar a quebra de uma máquina para realizar a intervenção, pois agora a máquina parada significava perda de produtividade e consequentemente dos lucros. Surge então a manutenção Preventiva Programada.



A manutenção continuou sua evolução: já não era apenas uma subárea da produção, mas sim um setor da empresa, responsável não somente para fazer intervenções corretivas, mas também manter máquinas e equipamentos em seus respectivos pontos ótimos de funcionamento (POOR, ŽENÍšEK e BASL, 2019).

O final do século XX marca, definitivamente, uma nova visão mercadológica que deveria ser adotada pelas organizações, pois estas foram surpreendidas e procuraram se reestruturar rapidamente dentro desse novo contexto global, visando ao atendimento das necessidades dos clientes, mantendo qualidade e buscando maior competividade no mercado (BROWN e SONDALINI, 2010).

Com este novo cenário, manutenção passou a ter cada vez mais destaque dentro de uma organização, deixando de estar apenas no nível operacional, mas também atuando no nível tático e em determinados casos em nível estratégico, como nas usinas sucroalcooleiras, onde a manutenção de todo o parque fabril é realizada, normalmente uma vez ao ano, sendo este procedimento vital para o sucesso desta indústria.

Os procedimentos de manutenção preventiva são ações programadas realizadas para minimizar a chance de uma falha ou para melhorar a confiabilidade do sistema (TZVETKOVA e KLAASSENS, 2001).



O motivo mais importante de um programa de manutenção preventiva é a redução de custos colocados em perspectivas específicas: redução do tempo de parada da produção, resultando em menos paradas de máquinas, melhor conservação dos equipamentos e aumento da expectativa de vida dos equipamentos, redução dos custos de horas extras e uso mais econômico da manutenção trabalhadores devido ao trabalho com base em um cronograma em vez de com base em acidentes para reparar as avarias (KARDEC e NASCIF, 2012).

Reparos de rotina em tempo oportuno resultam em menos reparos em grande escala e, por conseguinte, em custo reduzido de intervenções causadas por falhas secundárias.

Um programa de manutenção preventiva também impacta em redução de rejeitos, redução de retrabalho e redução de refugo de produtos devido a uma melhor condição geral dos equipamentos, bem como na identificação dos equipamentos com custos excessivos de manutenção, indicando a necessidade de manutenção corretiva e melhoria das condições de segurança e qualidade (TAVARES e SILVA, 2021).


Referências

KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção - Função Estratégica. 4ª. ed. Rio de Janeiro: QualityMark, 2012. ISBN ISBN-13: 978-8541400404.

POOR, P.; ŽENÍšEK, D.; BASL, J. Historical Overview of Maintenance Management Strategies: Development from Breakdown Maintenance to Predictive Maintenance in Accordance with Four Industrial Revolutions. Proceedings of the International Conference on Industrial Engineering and Operations Management, Pilsen, p. 495-504, Julho 2019.

SAES, F. A. M. D.; SAES, A. M. História Econômica Geral. São Paulo: Saraiva, v. I, 2013. 664 p. ISBN ISBN-13: 978-8502212541.

TAVARES, L.; SILVA, F. Índices Brasileiros de Manutenção. 1ª. ed. Rio de janeiro: Qualitymark, 2021. ISBN ISBN-13: ‎978-8541403627.

TZVETKOVA, S.; KLAASSENS, B. Preventive Maintenance for Industrial Application. IFAC Proceedings Volumes, v. 34, n. 29, p. 3-8, 2001. ISSN ISSN 1474-6670.

VILAÇA, M. L. C.; ARAUJO , E. V. F. D. Tecnologia, Sociedade e Educação na Era Digital. ISBN:978-85-88943-69-8. ed. Duque de Caxias: UNIGRANRIO, 2006.

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